domingo, 19 de fevereiro de 2012

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Estantes vazias de perplexidade, caixas com papeis amarrotados, móveis torcidos de inclinados, gavetas à espera de explicação, sombra de um gato por aparecer, tesoura enferrujada caída no soalho, cadeira tombada pedindo auxílio, mesa com nico despercebido no tempo, sofá encolhido sob o peso de gente que partiu, moldura com fotografia descolorida, colchão encovado por corpos de amor invisível, aparelho de televisão desativado, prato rachado num armário, frigorífico desligado com a porta semiaberta, lixo caído por aqui e por acolá, teia de aranha rente ao calor de uma lâmpada, parede escurecida por sombras obtusas, soalho manchado de promessas, extensão elétrica com feridas à mostra, par de sapatos estropiados, camisola de lã enrodilhada, candelabro abandonado em cinzas, botão de camisa sobre mesa de cabeceira, eco de riso sem contexto, tubo de cola por usar, funil de plástico empoeirado, calendário de parede embolorecido, teclado de computador sobre fotocopiadora sem préstimo, rolo de cordel hesitante. Odor a morte. E aquela mão a acenar.