79
A nossa irrazão, a nossa ausência de poder, a nossa entrega, por dentro do mais longe que há.
Vemo-nos com olhos que se perdem no infinito em que nos ocultamos para nos não ferirmos. Subsiste o sem tempo nos gestos quando nos buscamos. Evitamos pensar e assim nos deparamos com a descoberta do que não se revela, apesar de nada nos recusarmos, de nada deixarmos de nos ceder.
Há música nos nossos passos, por vezes dor, nos nossos braços, conduzindo-nos aos sinais da doce loucura.
Nada nos impede esta noite. O céu negro enche-se de caminhos para toda a parte com restos do fogo que nos abrasa desde os inícios.
E se nos perguntarem manteremos o silêncio dos tempos sobre os tempos que vivemos. Para que o sentimento venha, gota a gota, inundar a matéria visível e invisível.