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Vão pelo mundo os amores e não se imagina quanto sofre quem os vê partir.
Como sentir o significado das palavras doridas de quem fica? Como acompanhar a sua dilaceração? Como entender a alma que se lhes verga? Como não aceitar que procurem outras paixões? Como não prever a ligeira sombra de evasão em que sobrevivem?
Partem sem olhar para trás, os amores, mas continuam a ser quem eram no curso de lugares longínquos, ainda que, por vezes, pareçam perdidos, pareçam uma réstia de nada na lembrança das noites que demoram, essas megeras de solidão com mar diluído na grandeza escura que nem a pesada natureza dos atos explica.
Não há meias palavras para dizer solidão tamanha. Só palavras inteiras, palavras sem defesa, palavras nuas como as facas que não avisam quando se preparam para fazer em tiras a morte.