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Enquanto o mundo desaba, há palavras que vão sendo escritas secretamente, invisivelmente, sorrateiramente.
Palavras de mistério, com vida e morte, que se fundem, entrelaçam, chocam, discutem, refazem.
Sob explosões e derrocadas.
Não se queixam, nem lamentam.
Continuam a busca de um tempo que há de vir, sem rancores nem remorsos.
Palavras como lugares que nascerão de ruínas erguendo-se em nuvens altas.
De mãos à cabeça, lugares saídos do frémito que acolhe a dor e o pensamento e o desejo.
Palavras que enchem vazios, hesitações, lapsos, erros, indefinições.
Sangue verdadeiro do que vai sendo escrito.