domingo, 4 de março de 2012

73
Vai distante, em fuga desabrida, alcançando cada vez mais longe do lugar onde vivo.
Fá-lo para que eu vá nascendo em cada um dos seus passos, em cada viagem que efetuarei para seguir o rasgo dos olhos com que me olha.
Desço nesta dor, neste intervalo sem sentido, de consequências infindas.
Avanço, descubro, deixo-me perder em espaços cujos nomes tenho a competência de definir, de esclarecer, de fixar com rigor.
Desconheço como chegarei ao céu, mas hei de encontrar o caminho, por entre cânticos e murmúrios de gente que cumpre o seu destino.
Acabei de me levantar no coração da noite enevoada e não perco tempo: dirijo-me à janela, e olho o vento soprando nas vidraças, como se as afagasse.
É quase um sentimento. O que vejo.