terça-feira, 21 de agosto de 2012

O coração de Nobe sofria porque chegara a altura de Jif desfazer o círculo da harmonia. Jif crescera e ganhara autonomia, lançando a família em estado de perplexidade. Tinha 14 anos.
Ruile tinha 13 e andava pelos cantos da casa e da praia para lamentar em silêncio a sua sorte, Bars só não explodia com vista a não causar estragos de maior, Nobe refugiava-se no mutismo sofrendo de maneira mais completa e sem interferências. Pareciam insetos sem destino a vaguear nas areias de um norte entregue ao frio e à brisa que esfarelava o verão.
Não havia desculpas a dar nem argumentos a esgrimir, embora Bars tivesse dificuldade em manter a calma, acabando por se engalfinhar numa aguerrida troca de mensagens eletrónicas com alguém dificilmente imaginável.
O importante era que a casa não desabasse. Que a adolescência de Jif não fizesse perigar o equilíbrio geral.
Na noite seguinte, Ruile foi despedir-se de Jif, que trazia a candura de uma ave no céu, como se nada tivesse acontecido. O círculo da harmonia parecia de súbito intacto. Mas era ilusão. Trocaram beijos e Ruile voltou para o carro, entre pensamentos, dúvidas, perguntas, receios. Dentro de si, tinha o pedregulho de não compreender a mudança no comportamento de Jif. Havia agora um mar espesso a separar as almas.
Ruile conteve-se. Nada disse. Baixou a cabeça, aninhou-se no assento traseiro do carro que lhe conduziria a mágoa ao aeroporto e deixou-se ir a caminho do seu país.