sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Virão ter comigo e colocar-me-ão perguntas sobre o futuro. Quererão saber que intenções me animam, quando tomarei uma decisão, de que meios disponho para seguir em frente.
Nessa ocasião, não saberei que dizer. Sentirei os raciocínios volteando e um alento de confusão ardendo-me no peito.
As perguntas assustam-me. Desde que me lembro. Sempre me assustarão.
Deparo-me com inúmeras possibilidades de resposta e acabo por não ter a certeza sobre qual poderá ser a mais acertada.
Desato a gaguejar, tento seguir por uma via, mas logo hesito, arrependo-me e volto atrás num grande embaraço, como se tivesse ensaiado o cometimento de um crime.
Dou por mim a não ser capaz de balbuciar o que quer que seja e sinto a humilhação aproximando-se para me cercar.
Nessa altura, compreendo que o melhor que tenho a fazer é entregar-me. Que outra atitude poderia tomar?
Aguardo que me venham buscar, faço mesmo um sinal tímido a chamar a atenção para o sítio onde me encontro. É um alívio. Deixo-me prender, encolho-me, não resisto.