segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Andei por vielas de textos, becos de frases, esquinas de palavras. Vi claridades e nexos por dentro de cada sílaba ordenada no seu conjunto.
Vibrei com descobertas, penitenciei-me com desenganos. Fiz o que calhou, o que surgiu. Barafustei, arrependi-me, persisti. Quantas vezes fui em diante sem direção, apenas com o instinto de algo que eu estava longe de saber o que seria.
Chafurdei, errei, aturdi-me, até não ser capaz de destrinçar o que se me apresentava diante dos olhos.
Padeci montanhas de significados, pedregulhos de imprecações, loucuras imensas que vinham de toda a parte para me atingir.
A ilha deserta estava, afinal, no meu regaço deitada, como um peixe à beira de desfalecer. Era branca e lisa de sonhos por alcançar.
Tanta vaguidão nos meus dias. Tudo para me dizer a página, o ligeiro folhear do tempo que os fins de tarde tornariam vindouro, esboço de horizontes por definir.
Nunca fiz contas. Que poderiam os números acrescentar aos meus rabiscos pungentes? Só trabalhei palavras. Só as amei, mesmo quando de tal não tive consciência. Palavras e mais palavras, em catadupa, que se foram amontoando nos cantos das noites vencidas. Desfalecendo, como se houvesse um mistério a revelar na hora da despedida.
Não tinha nome o que me acontecia. Era um fundo esborratado sobre a paisagem da minha alma. A alma que mil vezes perdi e mil vezes recuperei, por entre tanta dor imprevista, tanto negrume.
Cumpri toda a miséria da escrita. E é por ela que parto, ainda, em busca do esplendor.