Se eu saísse para ir em busca de Jez corria o risco de acontecer alguma coisa a Larj. Pareceu-me que permanecer em casa seria o mais aconselhável, porque Jez poderia regressar a qualquer momento. Se me metesse pela rua fora, que hipóteses tinha de sucesso? Poucas ou nenhumas. Não estando Jez nos sítios para onde havíamos telefonado, de pouco adiantaria andar na noite à sua procura. Podia ter acontecido tanta coisa. O inimaginável estava sempre a explodir-nos diante dos olhos.
Sentei-me no braço do cadeirão onde Larj se afundara, mas não me apercebi de qualquer reação da sua parte. Procurei respirar de forma calma e compassada, a ver se a mente me trazia poder de análise acrescido. Cinco da manhã não é propriamente a melhor hora para articular pensamentos. Claro que a minha atenção estava focada em Jez. Tinha acompanhado parte do seu crescimento e não duvidava da inteligência que possuía. Mas, por volta dos 14 ou 15 anos, a sua personalidade ganhou uma dimensão inédita: passou a protestar por tudo e por nada, revoltava-se contra Larj e contra mim quando não lhe fazíamos a vontade, trazia para casa colegas de aspeto pouco convincente, não abria a boca na hora das refeições, amuava por motivos desconhecidos, o estudo não parecia trazer-lhe grande satisfação.