As árvores de Lisboa ondulavam nas ruas que faziam esquina com as avenidas e havia gente que se escapulia a toda a hora numa direção ou noutra. Ninguém sabia os seus destinos. Por mais que eu olhasse, por mais que tentasse ir atrás de quem encontrava, com vista a descobrir o que motivava os seus passos, dava-me conta de que não tinha braços nem pernas para cumprir o meu desejo. Eram inúmeros os caminhos, os andamentos, as vozes, e eu dividia-me sem saber o que apanhar ou o que seguir.
Podia ser que Denz fosse uma dessas pessoas que polvilhavam as ruas, e também podia ser que fosse Jez, ou Minn, ou Eid, ou até eu, que não desistia de me envolver no que borbulhava em cada recanto da cidade. Podia ser que fizéssemos parte da multidão e mais tarde nos reencontrássemos em cima de uma estátua, de um ramo de árvore, de um poste de luz, tentando alcançar a lógica do que se passava.
De um lado ouvia-se uma coisa, do outro ouvia-se outra, depois as duas coisas sobrepostas, e logo a seguir contrariadas por uma terceira razão e uma quarta que alguém trazia na ponta da língua, prontamente juntando dezenas de pessoas que acorriam a qualquer sinal de nervosismo, melindre, dúvida, aceno. Era Dezembro e havia castanhas nas ruas fumegando.