domingo, 31 de março de 2013

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Minn encontrou alojamento por uns bons tempos no quarto de Sur. Ficou lá a viver como se desde sempre tivesse pertencido à casa. Ninguém quis saber quem era nem de onde vinha. O seu passado constituía uma incógnita porque simplesmente não havia quem perguntasse o que quer que fosse. E Minn vivia desse alheamento.
Quando saía do quarto de Sur, parecia esgueirar-se por entre móveis e sombras, como se estivesse sempre a dizer qualquer coisa, embora pouco se percebesse do que pronunciava. Era como se engolisse sílabas, como se as mastigasse e chocalhasse entre dentes.
Minn tornou-se uma espécie de alma gémea de Sur. Faziam tudo em conjunto. Arrumavam o quarto, iam às aulas, desapareciam na cidade, voltavam quando a noite ia alta e fechavam-se no seu esconderijo sem prestarem contas. Nunca se zangaram ou sequer discordaram.
Certa noite, entraram em casa com um bebé ao colo, mas não houve vivalma que se interessasse por saber o que sucedera. Parecia um acontecimento natural que toda a gente tivesse previsto.
O bebé passou a ser o centro de todos os carinhos. Deram-lhe o nome de Ori porque Sur o exigiu. Soava a ouro, argumentava.
Ori andava sempre de gatas por entre mil e uma coisas, brincando, esperneando, balbuciando, e Minn já não sabia que fazer nem para onde se virar. Foi na busca de encontrar sossego que passou a frequentar o poiso junto do jardim da Estrela a um ritmo cada vez mais insistente…