domingo, 31 de março de 2013

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Conheço Minn desde há anos. Quase crescemos juntos. Por isso, não há ciúmes no relacionamento que mantemos com Denz. Ninguém ocupa espaços proibidos, nem tem maneira de interferir, os corações não se cortam em fatias para distribuir consoante as ocasiões. Não faço perguntas sobre como Minn e Denz se ocupam quando não estamos a três, e junto de mim também nunca pretenderam saber o que quer que fosse.
O meu relacionamento com Minn leva vantagem sobre o que nos une a Denz, que conhecemos há relativamente pouco tempo. Com Minn quase não preciso de falar. Olhamo-nos e é quanto basta para sabermos o que vai nas nossas mentes. Chegamos a fazer contas, trocar pensamentos, esgrimi-los, sem necessidade de pronunciar uma única palavra. Depois, quando a noite se clarifica, Minn pega na viola e os seus dedos enchem a casa de sons que a voz transporta para outros mundos. A sua voz vem do fundo dos tempos e prolonga-se além.