Não me tenho esquecido de Denz. Se omiti a sua presença nos últimos dias foi para deixar entrar forças na escrita, personagens, contextos, sinais, a ver o caminho que o romance vai seguir. Mas Denz tem poder para surgir a qualquer momento numa página súbita. Aqui está, sorrindo-me, sem mágoa pela ausência que lhe destinei.
Denz parece ter renascido de qualquer zona inacessível. Fala com calma, concentra-se, pondera as palavras, para que se façam ouvir de forma adequada e para que a sua objetividade não seja posta em causa. Fala comigo, mas também está com Minn, que ocupa quase metade do sofá a seu lado (em vez de se sentar, estendeu-se, enrolou-se como um animal de estimação à espera de carinhos).
Denz não desilude na sua afeição. Enquanto fala, vai tamborilando os dedos sobre uma das pernas de Minn, como se não quisesse deixar dúvidas de que a sua conversa comigo não é exclusiva, nem tem hipóteses de o ser.