Dal considerava Ugi interessante, mas não mais do que isso. Não era capaz de se imaginar numa relação com a sua maneira de ser metediça, embora cobarde, bem vistas as coisas. Aquela sua forma de chegar sempre poucos minutos depois de Dal era sem dúvida um modo enviesado de procurar aproximação. Esse procedimento de Ugi também estava na base das reticências que o grupo lhe dispensava.
Se Ugi pretendesse algo especial, pensava Dal, já teria dado um passo em frente. Se não avançava devia ser porque alguma coisa se passava no seu íntimo, algo de menos claro, menos sincero, menos cativante.
Todavia, Dal nunca teve motivos sólidos para se afastar de Ugi. Encontravam-se no café todos os dias, nunca em outro sítio, e pouco mais falavam do que conversas ligeiras, geralmente da iniciativa de Ugi.
Quando Dal dava demasiada atenção em redor, Ugi evidenciava incómodo e não parecia capaz de diversificar diálogo. Era como estivesse sob pressão de gente inimiga, com quem nunca tivera ensejo de trocar opiniões. Por isso, baixava a cabeça, geralmente, e punha-se a bater ritmos no chão com a ajuda do pé.