Dava a ideia de que era combinado, mas não era. Dal chegava ao café com os colegas do costume e poucos minutos depois aparecia Ugi, que cumprimentava todos e sem grande esforço se sentava na mesma mesa. Conhecia razoavelmente os presentes, incluindo Dal, mas não pertencia à rotina do grupo.
Ugi só ia àquele café para estar perto de Dal, para observar em pormenor a sua maneira de ser e de dizer coisas, a sua maneira de rir e de pensar, para estar perto das suas preocupações e sonhos.
Tinham-se encontrado meses antes, por acaso, no estabelecimento e a partir de então Ugi nunca mais deixou de pensar em Dal. Ia para casa com o seu odor diante dos olhos, deitava-se com as suas formas desafiando a imaginação, acordava fazendo cálculos sobre a hora em que deveria ir ao café de forma a não perder mais uns momentos na sua companhia.
O grupo não facilitava o acesso de Ugi a Dal. Por isso, sempre que entrava no café, Ugi tinha de se empenhar na conquista do espaço que lhe interessava. Muitas vezes, optava mesmo por um dos lugares mais distantes e logo a seguir levantava-se simulando uma ida ao balcão a fim de no regresso puxar uma cadeira para junto de Dal, enquanto outras vezes avançava diretamente para onde se encontrava Dal, com o pretexto de lhe pedir explicação sobre uma dúvida, ou de lhe perguntar se tinha visto um filme qualquer ou se já ouvira o último trabalho desta ou daquela banda…