domingo, 31 de março de 2013

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Eid demorava, porque estava a secar o cabelo. Eu não estava em Lisboa, mas desejava estar, para que o céu fosse menos carregado e a guitarra que eu ouvia pudesse vibrar ainda mais em todas as parcelas da minha intimidade.
O tempo passava dedilhando matizes na visão das formas. Adiante na rua, uma criança sorria na sua inconsciência sobre a maneira como as pessoas e as coisas se ligam no mundo. Logo a seguir, chegou alguém, que me olhou e manifestou surpresa por já não me ver há muito tempo. Falava com delicadeza, como se esperasse que eu lhe contasse o que andara a fazer nos últimos meses. Respondi-lhe que agora viajava mais e reparei que os seus olhos me fixavam atentamente, embora a sua expressão não se alterasse com o que ouvia, como se soubesse antecipadamente o que eu diria, como se conhecesse os meus passos em detalhe. E a conversa ficou por aí. Foi a troca de impressões mais longa que alguma vez tivemos. Nem sei o seu nome.
Ao anoitecer, vinha eu para casa, ainda no meio de guitarradas, quando o céu se abriu de luz e cores para lá do horizonte que ondulava sobre as colinas, afastando as nuvens para norte. Como se de repente Lisboa tivesse regressado ao meu destino.