domingo, 31 de março de 2013

35
Na noite seguinte, soube o seu nome. Estava num bar, quando vi entrar um grupo de gente e houve quem chamasse: - Vian!
À primeira vista, não tive a certeza a quem o nome era dirigido, mas com a insistência do chamamento, deixei de ter dúvidas: Vian destacava-se do grupo pelo seu porte elegante e humilde. Olhava em volta como se desconhecesse o lugar onde se encontrava e falava meigamente com mais do que uma pessoa ao mesmo tempo. Quando não falava, distribuía sorrisos.
Depressa percebi que não valeria a pena tentar atrair a sua atenção. Pelo contrário, quanto mais alheamento eu manifestasse, maiores seriam as minhas probabilidades de cair no raio da sua visão.
Vian tinha uma forma de olhar que não deixava margem para fugas, hesitações, sinuosidades. Todo o seu ser se conjugava no centro das pupilas, que fulminavam à passagem. Fulminavam de tal maneira que davam a ideia de o seu conhecimento alcançar bastante mais do que as palavras, por mais buriladas ou depuradas que estas se revelassem. Vian parecia vir de outro tempo. Não me restavam dúvidas de que vinha.