domingo, 31 de março de 2013

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Eid está no meio da multidão e dança e ri e salta e quer mais e olha e acena para a varanda onde me encontro. A praça está iluminada desde as primeiras horas e Eid foi das primeiras pessoas a chegar. Saiu de casa quase sem tempo para se vestir, meteu-se no primeiro autocarro que encontrou e foi desembocar no Rossio, onde começavam a afluir curiosos. Outros seguiam para a Praça do Comércio, convictos de que o mais importante aconteceria à beira do Tejo.
Os meus olhos não se desprendiam de Eid. Eu seguia os seus movimentos num misto de preocupação e alívio. Havia sempre perigo em ocasiões de mudança. O risco tanto corria na rua como num quarto de cama ou numa casa de banho. Poderia mesmo acontecer uma bala chegar à minha varanda para me atravessar a cabeça sem eu ter tempo para me despedir da vida. De certa maneira, quem estava no meio da multidão gozava de maior segurança do que eu.
Eid fez-me sinal, uma e outra vez, mandando-me beijos. Por vezes, notei que pensava, que se abstraía, que hesitava nos movimentos, mas logo a seguir voltava à alegria, confundindo-se com as vozes que engalanavam a exuberância do tempo.