domingo, 31 de março de 2013

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Larj acaba de me informar que comprou sardinhas enlatadas para eu me deliciar quando regressar a casa daqui a semanas, talvez meses. Sardinhas enlatadas como quem vai de barco pelo mar fora, sem se preocupar com horas, nem com destino, só com ventos e maresias desfraldadas nas quinas do fim do mundo.
A esta distância no tempo, é bom saber que alguém se preocupa connosco, que alguém pensa na nossa vida, nas nossas andanças, nos nossos pequenos apetites que fazem a cor de cada momento na noite.
Depois, Larj recordou que uma vez se zangou com Jez e logo a seguir desatou a rir como se a zanga que teve fosse um divertimento de que nunca se esquecerá. Mas o seu riso tanto pode significar alegria como tristeza. Larj tanto ri e sorri como chora ao mesmo tempo, sempre por razões de peso. As suas lágrimas e risos são como a água do rio que corre naturalmente em direcção ao sal que há na lonjura do mar. A sua voz canta quando fala, vibra como as cordas de uma harpa sujeita à brisa que passa.