domingo, 31 de março de 2013

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O olhar infinito começa numa noite de lua cheia quando os ventos sopram mansos nas esquinas da cidade e praticamente não se veem carros passando nas ruas nem pessoas entrando ou saindo de casa. Só as copas das árvores balouçando rente aos edifícios como se admirando as nuvens ralas no alto da sua fuga para o rio, onde a distância da observação é sempre maior e mais nítida.
Há todo um infinito num simples olhar, seja de criança balbuciando as primeiras descobertas, seja de pessoa idosa despedindo-se dos seus e da vida. A prova do infinito está no olhar de cada um, nos seus matizes, na sua profundidade, no seu arco reflexivo, no seu espelho, no que esconde por detrás das órbitas, no que deseja, no que projeta. Não se mede um olhar, não se consegue classificá-lo, nem sequer muitas vezes se tem a ventura de o compreender. A imaginação é o mais que se pode obter de umas pupilas que nos fixam ou que apenas divagam no calor que as horas vão cerzindo em cada passo da noite por vir.