Estremeço se penso em quem deixei para trás, nos rostos, olhares, intenções que preencheram o meu passado. Trago lembranças ao presente, lembranças que doem. A existência é matemática de sentimentos, paixões, desejos que se vão perdendo nas voltas do tempo. Como se alguém me chamasse da distância dos séculos e dissesse “vem aqui, vem buscar-me, abraça-me, preciso da tua compreensão, não posso continuar sem o teu calor, sem o fogo da tua voz”.
Abandonei aves que desapareceram em revoadas de nuvens rente às estrelas, desisti de caminhos, promessas, construções, esperanças caídas no vazio dos meus pés. Os corpos afastam-se cada vez que os procuro, como se ao pensar neles o castigo seja maior. Tudo se esfuma além, na ondulação vaga de cores difusas. Deus não tem nome.