Não se sabia com precisão de onde viera Minn. Dizia-se que chegara a Lisboa numa noite de chuva e como não havia ninguém à sua espera no aeroporto tomara a pronta decisão de se recostar numa das cadeiras do terminal até ver o que a sorte lhe destinava.
Três dias depois, estava a trabalhar numa pastelaria de Campo Grande. Mas a experiência pouco tempo durou. Porque certa vez apareceu Sur a pedir um café e um bolo e Minn percebeu logo que o seu emprego estava por um fio. A forma como se olharam não deixara margem para dúvidas.
Minn nem se despediu de quem se responsabilizara pela sua contratação. Limitou-se a dar meia volta ao balcão e seguiu Sur como se houvesse um íman atraindo os movimentos do seu nariz até à mais ínfima minúcia.
Desapareceram por algumas horas na agitação das ruas, mas não muito mais tarde reapareceram à porta da casa de Sur.
Feitas as apresentações à família, fecharam-se no quarto de Sur, rindo e conversando até altas horas. Para que não se ouvisse o que diziam, Sur pôs música a tocar e Minn pôs-se a embalar o corpo nos sons ondulantes que atravessavam a luz baça.
Ao fim de dois dias, ainda não tinham saído do quarto. Mas também não houve quem se lembrasse de ir bater-lhes à porta a perguntar o que se passava, se precisavam de alguma coisa, quais as suas intenções.