Certa noite, dei de caras com Jez num bar do Cais de Sodré. Nos instantes iniciais, hesitei sobre que reacção tomar. A primeira nota em que reparei foram as suas olheiras, fundas e pesadas, como se tivesse estado várias noites sem dormir.
Depois de não saber como proceder, veio-me à ideia que devia avisar Larj e Eid. Mas depressa percebi que talvez fosse cedo demais para o fazer. Tinham passado mais de dois anos sobre o desaparecimento de Jez e muita mudança podia ter ocorrido.
Antes de tudo, era necessário esclarecer a situação em que Jez se encontrava e qual a sua intenção a partir daquele nosso reencontro.
Jez puxou-me para um dos cantos do bar e convidou-me a sentar a uma mesa. Obedeci prontamente. Eu não escondia a minha satisfação ao verificar que Jez conseguira sobreviver longe da família durante dois anos, mas faltava-me saber em que condições tal sucedera.
Notei que as suas mãos tremiam de forma ligeira ao levar o copo de cerveja à boca. Mas também me dei conta de que Jez ainda não parara de sorrir desde que eu lhe surgira pela frente. Para escapar ao ruído do bar e da música trepidante, sugeri que fôssemos para a rua conversar, contudo Jez replicou que ali estaríamos mais confortáveis.