quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Há noites em que não consigo estar feliz, sobretudo se, por qualquer razão, Eid não dorme em casa. Pode encontrar-se na melhor e mais segura companhia, mas só de saber que está distante, tenho dificuldade em serenar. Há uma angústia miudinha que me invade, que me corrói lentamente, que me vai retirando o chão de sob os pés. O cérebro não consegue raciocinar adequadamente, os olhos parecem afundar-se num charco.
Nem a presença de Larj me serve de consolo. O que fazemos, por vezes, é ir ao cinema, na esperança de que o ambiente desanuvie. Saímos, respiramos ar nocturno, vemos uma ou outra cara conhecida, enfrentamos as luzes da cidade.
No regresso a casa, porém, o vazio de Eid ainda é maior. Até porque se soma ao vazio de Jez.
Quando, por fim, nos deitamos, Larj prende-me a mão por baixo dos lençóis e pomo-nos a olhar o tecto do quarto, como se um buraco nos pudesse levar dali para longe.