Hoje, sou eu quem vai viajar. Chego ao aeroporto com o sono ainda às voltas no cérebro e procuro sentir-me em casa, tentando reconhecer-me nos passageiros que se preparam para seguir os seus destinos. Há qualquer coisa de mim que sinto em cada pessoa na sua marcha para o parque de estacionamento, para as lojas de lembranças, para os balcões de embarque, para o controle de passageiros. E há qualquer coisa de mim que fica à espera do momento de partir.
A minha divisão é uma constante. Não encontro forma de a superar. Ora por motivos de identidade, ora por motivos de território, ora por motivos que nem sei.
Por ainda ser noite, abstenho-me de fazer qualquer contacto telefónico de última hora. A minha rotina de deslocações também não o justifica.
Dirijo-me a um equipamento multibanco e levanto algum dinheiro para despesas do caminho. Vou dar uma vista de olhos aos jornais na tabacaria acabada de abrir. Passo pelo café a ver se encontro algo que me possa aquecer.