Ontem, tentei comunicar com as pessoas por quem nutro maior amizade e de nenhuma obtive resposta. Obriguei-me a parar e reflectir sobre as causas de tamanho silêncio. Tanto mais que o assunto tinha relevo nas minhas estimativas. Concluí que devem estar a braços com excessivas tarefas.
Mas nem por isso deixo de meditar sobre o significado e o alcance dos sentimentos. Penso no caso particular das minhas cumplicidades e penso também no dos humanos em geral. Recolho-me e pergunto-me até onde seremos capazes de ir na dedicação a outrem, a que ponto conseguiremos entregar-nos verdadeiramente, que representará em última instância uma atracção, ou que sentido fará duvidar de laços inquestionáveis só porque não se tem eco de um contacto extemporâneo.
Coloco perguntas, mas nada procuro para além delas. Não persigo respostas, por mais esclarecedoras que se possam revelar. Só quero deixar frases vogando no ar suspenso para melhor compreender o alcance do que sustenta o amor não canal.