Sem saber o que fazer ou para onde se dirigir, Minn sentou-se na sala de estar à espera de alguém com quem pudesse falar. Tentou imaginar como seria a sua vida ao abandono de Sur e não o conseguiu. Nem tivera tempo de trocar impressões sobre quem ficaria a viver com Ori, mas a sua posição de desvantagem era evidente porque nem tinha onde pernoitar. A sua maior dor era saber que não faria sentido permanecer na casa da família de Sur e, ao mesmo tempo, sentir que lhe era impossível viver longe de Ori. Tinha esperança de que ao conversar com alguém pudesse encontrar saída para o seu impasse.
Perto da hora do jantar, entrou Pars, que logo quis saber o que se passava, como se Minn tivesse o problema estampado nos olhos.
– Sur expulsou-me do seu quarto – disse Minn de forma seca. Não quer continuar a viver comigo.
– Podes ficar a dormir no sofá – sugeriu Pars sem hesitar.
Minn não respondeu de imediato, na tentativa de avaliar, mais uma vez, se seria capaz de tal façanha. E acabou por responder que aceitaria dormir no sofá naquela noite, a ver como se sentiria. No fundo, porém, a sua expectativa era que Sur reconsiderasse, que recuasse, que se compadecesse da sua condição de sem abrigo.