terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

As luzes sobem do chão atravessando o frio da noite ate ao silêncio do que paira no ar. Na curta espera das formas que me servem de abrigo, vejo sonhos, ambições, dúvidas que acenam e partem para logo a seguir ressurgirem como se acabadas de chegar de sítio nenhum. São rios escaldantes que me encandeiam, me fazem correr, me atraem ao centro de fugas em que me perco e reencontro. Rios desfalecendo nos seus braços longos para o mar.
Lisboa nada tem para dar a não ser o eco mudo de vozes desaparecidas em milhões de poros nos quais a aridez se anicha. Nada me perturba quando a madrugada aponta quatro horas, sinal de solidão pura, de nudez sem mácula. A cidade quase ressona no seu abandono de casas e ruas esvaindo-se por entre fileiras de montras que o vento apagou por loucura. Não há com quem se renasça.