Passei em casa de Eid. Não resisti. Umas horas sem a sua companhia conduziram-me a um insuportável estado de alma.
Eid apareceu de pijamas com a pele fresca brilhando ao luar e sentou-se a meu lado no carro. Trocámos um abraço apertado e ficámos ali a olhar a tarde suspensa. Perguntei-lhe se queria ir ao cinema, mas respondeu-me que o único filme que gostava de ver já tinha saído de cartaz. Senti o peito mirrar.
– Tens a certeza? – perguntei. Eid sorriu e voltou o olhar na direcção do céu estrelado.
– Que vais fazer agora? – tentei animar a conversa.
Eid não se deu ao trabalho de me responder. A sua mente voava numa tal liberdade que as minhas palavras surgiam como nuvens que bloqueavam a sua visão.
Quando nos despedirmos, percebi que o resto da noite me devoraria nas suas garras afiadas. A Lua já se tinha escondido. Nem um animal se via na rua.