sábado, 5 de fevereiro de 2011

“Denz não me escreve”, foi a primeira ideia que me ocorreu quando vi o papel que parecia ferver nas mãos de Minn. Pensei logo que poderia ter acontecido alguma coisa. A Minn ou a Denz. Nessa altura ainda não partilhávamos a casa, por isso eu deixava-me facilmente levar por hipóteses que não faziam sentido.
Minn inquietava-me e Denz cedia-me todo o espaço, para desaparecer num tempo de Lisboa que transbordava de imprevistos, no meio dos quais era fácil alguém se perder, desavir, desencontrar, de um caminho para outro, entre dois olhares fugindo sob a luz de um candeeiro. Tudo podia acontecer a Denz. O seu silêncio era sinal de que algo me escapava.
Dei um passo atrás para não me deixar apanhar pela chama na mão de Minn. Ao ponderar, de súbito, sobre o canto onde se aninhava, tive a tentação de lhe oferecer metade do meu quarto, mas era certo que, na eventualidade de tal se concretizar, me subiriam o aluguer mensal que eu já tinha dificuldade em cumprir.