Há escrita fácil, ligeira, andante. Escrita que não chega a qualquer profundidade. Pode ser ágil, astuta, oportuna, mas não desce às origens, não se deixa cair no poço para além do qual nada se vê nem se ouve. Escrita que se vende sem escrúpulos, que se expõe à voracidade e à tentação, que cede a solicitações desprovidas.
O que procuro é uma escrita que não se conforme com a sua condição, uma escrita que se transmute em cada palavra, que se projecte no que falta acontecer, que contenha o desafio de revelar a existência no limite de um tempo.
Não há escrita de meio termo. Ou se radicaliza numa força que conduz a novos caminhos, ou se submete a uma banalidade que leva ao definhamento onde jaz a poeira.