Larj acabou por compreender que Jez lhe fugira sem remédio. Nunca mo disse cara a cara, mas não precisou de o fazer. Estava escrito nos seus olhos, nas curvas pronunciadas do seu corpo, em cada palavra íntima que eu lhe adivinhava. Não fazia menção ao assunto por incapacidade de o pensar, analisar, enfrentar, mas também porque considerava que tal constituiria um embaraço para mim. O que era verdade. De cada vez que o nome de Jez era pressentido no brilho anémico da sua boca, havia um tempo de chumbo e névoa que rodopiava sem misericórdia no meu peito. Só porque eu não tivera coragem de dizer a Larj que estivera com Jez em determinada noite e que acabara por decidir não contrariar a sua liberdade. Só porque eu adiara o momento de lhe contar o encontro que tivéramos e depois sentira que essa oportunidade se perdera para sempre.
Era como se a partir de certa altura tudo o que pudesse acontecer a Jez fosse da minha inteira responsabilidade. Não valeria a pena encontrar refúgio por detrás de escusas ou argumentos, por mais poderosos que se revelassem. A consciência de Jez passara para dentro da minha.