Valerá a pena escrever romances? Sobre quê? Com que fim? Para narrar que personagens ou situações? De que servirá contar o que quer que seja se só existem trivialidades? Fantasiar mesmo ou ser factual? Que terá a realidade para acrescentar às ideias, à reflexão, ao estudo das matérias? Por mais que se elabore a escrita, corre-se o risco de apontar ao vazio da inteligência.
Mas há qualquer coisa no romance que não me deixa em paz. Qualquer coisa que me interroga, me persegue, me espicaça.
Não imagino que mal terei feito para que assim seja. Para onde fugir? Junto de quem me refugiar?
Digo que não quero, peço que me deixem em paz, que desistam de vez da minha vida, mas não adianta. Procuram-me por todas as brechas, pressionam-me, cercam-me, insistem-me. Mãos esfíngicas, de dedos esguios, que se alongam… e alongam para me prender.