quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um dia, fugi com Arn e fomos esconder-nos na escuridão de uma igreja que a noite tornava ainda mais lúgubre. Entrámos de mão dada como se nos fôssemos casar, só que não havia marcha nupcial no órgão para nos receber.
Notava-se em volta um frio que entrava em nós como espadas cortantes, formas indefinidas movediças que se desprendiam dos altares e vinham deslizando entre as naves para nos assustar com o seu silêncio.
Arn ainda estremeceu uma vez por outra, mas eu apertei-lhe a mão com vigor, de maneira a transmitir-lhe confiança.
Não muito tempo depois, já me tinha caído nos braços e desatado a beijar com uma fúria de entrega como eu nunca tinha imaginado possível. Quase me sufocava com o seu frenesim devorador.
“Meu amor, meu amor”, murmurava Arn, como se não quisesse que Deus ouvisse o que lhe transbordava do coração, enquanto eu mal conseguia respirar.
Mesmo assim, correspondi aos seus beijos, embora não tivesse a certeza sobre o que fazer com as mãos, nem com o resto.
Arn trepava pelo meu corpo, apertando-me entre as suas pernas, como se subisse uma das colunas do templo até ao ponto de não regresso.
Sob o seu peso, deixei-me abater, vi-me desmoronar, até dar por mim ao comprido, de costas, no chão de pedra gelada.
Logo a seguir, Arn não esteve com meias medidas: saltou para cima do meu peito, agarrou-me a cabeça com as duas mãos e desatou a puxar-me para o centro da sua vibração imparável…