Denz deixou Minn sem resposta, mas via-se que estava inabalável, ou que, pelo menos, era essa a ideia que procurava fazer vingar. Preferia ignorar as provocações. Como pudera Minn sequer referir a possibilidade de o amor se resumir a uma função genital? Só por descaramento. Ou por ofensa.
Mas Denz não se ofendia com facilidade. Em ocasiões de diálogo intenso, tendia a desculpar as posições alheias quando não concordava. A vida era grande e aberta como o mar. Não faltava lugar para todos.
Ia pensando nisso, enquanto arrumava a cozinha, onde havia um relógio de parede que já marcava vários minutos depois das duas.
Minn continuava à mesa, como se ao abrigo do eco das perguntas que fizera. O silêncio que se ouvia deixava perceber a existência de dúvidas sobre a partilha da cama naquela noite. Cerd já tinha subido para o quarto, mas faltava saber que rumo seguiria Denz, agora que assegurava estar na disposição de acabar com o relacionamento que mantinham. Mas, se optasse pela cama onde por hábito dormiam, tal significaria que ainda haveria alguma esperança. E que talvez pudesse surgir uma derradeira oportunidade de trazer o fogo de volta à sua união.