– Tudo tem os seus limites – disse Denz.
– Tudo tem os seus limites, menos o amor – retorquiu Minn. – Considero o amor uma excepção. Quanto mais amamos mais nos aproximamos da plenitude. Por isso, não faz sentido estabelecer limites para o amor. Se o fizéssemos, estaríamos a impedir-nos de crescer.
– Para ti, o amor é então uma espécie de guarda-chuva à sombra do qual tudo é admissível…
– Com certeza. Tudo é admissível no amor. E por que não o deveria ser? Se o amor só admite o bem, é fundamental que tudo lhe seja admissível. Quanto mais quantidade de amor, mais quantidade de bem…
– Na teoria, concordo contigo, mas, na prática, as coisas funcionam de outra maneira.
– O amor só existe na prática.
– Se o amor fosse como dizes, eu não sentiria a divisão que sinto…
– O teu sentimento de divisão pode resultar de uma ideia de amor estereotipado do qual ainda não te tenhas demarcado…
– De qualquer maneira, a minha decisão está tomada. Não continuarei neste triângulo que tanto me desestabiliza. Não aguento mais.
– Não há aqui nenhum triângulo! Se o amor não tem limites, muito menos se pode resumir a três lados. Se assim fosse, que faríamos a tantas outras pessoas que nos rodeiam? Não as poderíamos amar? Porquê? Só porque não partilham a cama connosco? Mas, então, a cama sempre é lugar de eleição? Sempre é espaço de privilégio? A que título? Seguir por essa via não será restringir o amor a uma função genital?…