terça-feira, 1 de março de 2011

Eid veio ter comigo, choramingando, dizendo que se sentia doente, que tinha dores de cabeça, vómitos, calores, vertigens.
Procurei compreender o que se passava e socorri-me dos meus parcos conhecimentos de medicina para encontrar uma solução que ajudasse a combater o seu mal.
Pedi que se deitasse, passei-lhe a mão pela testa, fui buscar o termómetro para lhe medir a temperatura e pus-me a pensar sobre o que faria a seguir. O que faria no instante logo a seguir seria determinante, independentemente dos resultados, porque daria conta da minha maior ou menor capacidade de reagir àquela adversidade.
Os olhos grandes e brancos de Eid observavam-me como se de repente os objectos em volta tivessem desabado sem que eu me tivesse apercebido da necessidade de impedir o colapso geral, assim me tornando responsável pelo seu estado de abatimento, dúvida, confusão.
Accionei todos os mecanismos de que dispunha na memória, na imaginação, nos cálculos, nas pesquisas. Não podia desiludir Eid. Nem que tivesse de dar a volta a Lisboa para estancar o seu sofrimento.
Quando as lágrimas desataram a cair-lhe grossas sobre a pele fina do rosto, percebi que o meu tempo se tinha esgotado.