sexta-feira, 25 de março de 2011

Minn chegou tarde e eu já estava a dormitar na cozinha, enquanto Denz se encontrava no andar de cima a fazer qualquer coisa que eu não imaginava.
– Denz diz que se quer ir embora – balbuciei, de forma arrastada.
– Diz que se quer ir embora?... – perguntou Minn. – Porquê?
– Não sei bem. Não me vou envolver. Já estivemos a falar no assunto, mas prefiro não ser eu a explicar-te...
Denz entrou naquele momento e disse que queria falar com Minn. Todavia, Minn estava sem pressa e continuou na cozinha, abrindo e fechando armários, como se a sua fome não pudesse esperar. Denz sentou-se e nesse gesto simples deu a perceber que estava na disposição de aguardar o tempo que fosse necessário.
Para não condicionar a liberdade de que necessitariam para a sua conversa, fui andando até ao quarto de dormir. Mas não resisti a deixar a porta ligeiramente entreaberta.
Logo que saí, Denz pôs-se a dizer a Minn o que já me tinha dito e redito. A sua posição não parecia capaz de evoluir.
Minn ouviu argumentos durante mais de dez minutos, sem tecer qualquer réplica ou comentário.
– Parece que perdeste a língua – disse Denz.
– Tenho esperança de que mudes de opinião – disse Minn. A nossa relação tem quase dois anos e esta é a primeira vez que te queixas. É difícil encontrar pessoas que se dêem tão bem como nós.
– Não é uma questão de me queixar. Simplesmente não me apetece continuar a viver com a alma dividida. Não sei a quem pertenço. Se a ti, se a Cerd.
– Onde foste buscar essa ideia? Não tens de pertencer a ninguém.