No meio do nada, onde havia uma casa, fecharam Nobe num quarto respirando mofo por todas as paredes. Não havia luz no compartimento, por mais que se procurasse com as mãos encontrar um botão que a acendesse.
Nobe ainda não tivera tempo de reunir ideias sobre o que lhe estava a suceder. A sua principal preocupação era tentar saber o que lhe fariam no minuto seguinte. Estava sempre à espreita, sempre à espera, sempre à escuta, na dúvida do que poderia vir ou rebentar. Não deviam faltar armas por ali perto.
Tinham fechado a porta do quarto, mas Nobe ouvia conversas do lado de fora, conversas baixas, intermitentes, sons ora abafados, ora metálicos.
E, de repente, a noite foi atravessada por um grito:
– Tirem-me daqui! – ouviu-se, ao longe, como se na outra margem da escuridão que se prolongava para lá do que a vista podia alcançar.
Nesse momento, Nobe percebeu que não estava só. Era o primeiro sinal de esperança que se lhe deparava desde que a sua vida tinha sido tomada por mãos alheias.