terça-feira, 15 de março de 2011

A noite correu fria na estrada de silêncio com vento, esbranquiçando o que restava do Inverno nas folhas. Seguimos no carro, deixando para trás a cozinha iluminada, onde a casa começava, quando nos juntávamos para tomar café, entre as primeiras conversas estremunhadas.
Ninguém falou no decurso da viagem, como se apenas houvesse lugar para as ideias anichadas no calor afogado das mentes que olhavam as formas desaparecendo.
Tínhamos acabado de nos separar e as palavras ainda ecoavam no reflexo que a chuva deixava nas vidraças, recusando-se a deixar-nos, agarrando-se às nossas roupas, de unhas afiadas, despedaçando-as, numa súplica insana para que não partíssemos.
Mas de nada valeu o apego, a entrega, a presença. A velocidade do automóvel foi vencendo a resistência, cortando os laços, fio a fio, desembaraçando-se na direcção do aeroporto.