Sur não pertencia a lugar nenhum. Por isso estava sempre a suspirar por algo que não parecia saber o que era. Suspirava como quem desejava algo inalcançável, mas não era o desejo que verdadeiramente motivava os sons com que enchia o ar. Dava a impressão de estar sempre à espera de alguém que por qualquer motivo não tinha maneira de vir. Como se aguardasse a todo o momento uns toques ligeiros na porta para deixar entrar a pessoa por quem tanto anseava.
Quando telefonava, era possível ouvir o seu respirar intenso do outro lado da linha. Após duas ou três frases incompletas, fazia uma pausa e soprava, como se houvesse dentro de si a correr um discurso paralelo do qual não nos dava conta. Tinha alguma dificuldade em exprimir-se. Ou talvez o sono lhe impedisse a fluidez das ideias na articulação com as palavras.
Era sempre difícil deslindar o que estava a suceder com Sur. A dúvida constante fazia parte da sua maneira de viver. Mas quem pretendia estar na sua companhia acabava por aceitar que fosse assim. Até porque era forte a possibilidade de que todos aqueles ais se resumissem a uma necessidade de permanente atenção…