sexta-feira, 11 de março de 2011

Quando dei por mim, já não sabia a quantas andava. Estava sem poiso para viver e, muitas vezes, nem dormia, ou apenas deitava a cabeça noite aqui, noite acolá. Foi numa dessas correrias que dei comigo em casa de Denz, onde encontrei gente de todas as idades e feitios, conversando, rindo, bebendo, trabalhando, cada um fazendo o que bem entendia e mexendo no que bem queria. Era como se a casa não tivesse lei.
Sem nada dizer, encostei-me num cadeirão e pus-me a observar o entretenimento de cada um, gente que eu nunca tinha visto na minha frente e que não imaginava de onde vinha nem para onde ia.
Denz entrava e saía da cozinha com frequência, ou subia as escadas para o andar de cima, como se lhe competisse dar resposta às coisas invisíveis que seguiam o seu curso dentro da casa.
A dada altura, reparei que alguém adormecera a poucos metros de mim e que Denz se apressara a cobrir o seu descanso com uma manta que desencantara. Não muito tempo depois, senti que me afundava no sono, como se também me considerasse no direito de receber um agasalho para o meu frio. Denz não me desiludiu. Antes de me esquecer de tudo, ainda vi o seu gesto de despir o grosso casaco que trazia vestido e vir cuidadosamente estendê-lo por cima do meu corpo sem terra.