sábado, 16 de abril de 2011

Deus, como é doce a escrita. Como correm os seus esboços nos dedos da minha fuga, como é livre a noite por dentro das palavras brancas e plenas na forma de ver que me foi facultada.
Nada tenho a perguntar, de nada duvido. Só prossigo o que me compete, eu, cão farejando os becos na procura de alguma crença soterrada sob os destroços que o luar ténue sinaliza.
Dou comigo neste fado de apreciar ruas solitárias, em troca de nada, ao ritmo das horas indiferentes, enquanto os prédios desfilam ante os meus olhos, um a um, quase curvando-se sob o peso das suas janelas iluminadas, repletas de sonhos, promessas, devaneios.
E tudo a doce escrita absorve, tudo contempla, tudo regista. Sem queixumes, sem hesitações, sem conjecturas.