Estive a reentrar em Lisboa, hoje, metendo-me de novo pelo capítulo que já havia começado e que dá conta do momento em que vou a pé de Santa Apolónia até à praça do Comércio.
Não faço ideia para onde me devo dirigir. Levo no bolso um papel com uma morada escrita, mas limito-me a seguir em frente, na expectativa de descobrir a rua onde apalavrei um quarto de aluguer numa casa com o número 28 estampado na porta.
A mala que carrego tem o peso da minha vida inteira. A cada passo que dou, receio que um carro desgovernado suba o passeio e me atropele, dando assim por terminada a minha curta experiência de Lisboa, como se eu não tivesse direito a um beiral no Rossio ou na praça da Figueira.
Senti-me bem com esta reentrada que hoje fiz em Lisboa através da escrita. Creio que viverei este capítulo mais vezes, para o ir aperfeiçoando, para o ir sentindo de outras formas, para o ir agitando dentro das suas águas.