Há pouco saía de uma esplanada à beira-mar onde almocei com Cel e Plin, passei pela casa de Eid para lhe dar um beijo e vim pela estrada a pensar que o lugar onde verdadeiramente resido é o romance que estou a escrever. É, pelo menos, a casa que sinto como minha, o espaço que mais me apetece ocupar quando não estou com a família. Que sentido faria escrever se assim não fosse? Como poderia suportar a ausência das pessoas que mais amo?
Se a minha casa não fosse um romance faltar-me-ia coragem para voltar a ela depois de um almoço embalado pelas ondas, junto ao ar brando respirado nas superfícies despidas de nome. É verdade que Larj nunca deixa de me acompanhar desde a sua janela em França, mas não fora a escrita e eu não encontraria maneira de me situar na existência que hoje percorro. Não fora a palavra gravada no sangue dos dedos e eu viveria sem asa, sem grão, sem brilho.