sábado, 9 de abril de 2011
Sinto que vou no caminho certo. Há um calor suave que me inunda e que mo diz. Uma ligeira claridade que me vai acompanhando nos primeiros passos. É uma alegria este sentimento de realização e de encontro do rumo que conduz ao lugar que sempre procurei. Vejo cada letra no seu sítio, cada frase sem mágoa nem dor, cada relance de cada olhar de cada ideia materializando-se na passagem dos minutos em que me entrego. Quase nem me apetece continuar a escrita só para não sair deste ponto exaltante em que chego à cidade e mergulho nela como se um peixe respirasse em mim desde sempre e tivesse alcançado, enfim, o seu vasto oceano. Mas sei que só me resta prosseguir a descoberta do que me espera para lá de cada página. Quase me desintegro só de adivinhar o que me tocará e o que as minhas palavras revelarão na sua singeleza. Nada fiz para chegar aqui. Limitei-me a tomar o comboio e deixar-me conduzir até à estação final. Não tive noção dos perigos com que me poderia confrontar a qualquer instante e talvez tenha residido aí a minha salvação. Nunca recuei porque nunca percebi o alcance último dos momentos em que me envolvia. Acabei, então, por me deparar com esta felicidade olhando-me na pausa das suas longas pestanas alouradas. Sem nada perguntar. Sem nada exigir.