Quanto mais Jez desaparecia no tempo, melhor eu compreendia Larj. Nunca tive coragem de lhe contar que estivera com Jez e que não me atrevera a tentar o seu regresso, mas penso que Larj preferia não se confrontar com a realidade. Creio que se sentia melhor a imaginar os caminhos de Jez, em vez de saber o que na verdade fazia, de que forma se ocupava, e até que ponto iam as suas fantasias. Ou talvez conhecesse tão bem o seu íntimo que não precisasse de estar ao corrente de pormenores sobre a vida que levava. Era como se enquanto Larj estivesse a meu lado nada de mal pudesse acontecer a Jez. Como se, no fundo, eu constituísse o pilar que suportava o afastamento da sua relação.
Larj sentava-se de mão dada comigo, sorria e suplicava que eu lhe fizesse festas nos caracóis do cabelo. Dizia que era a melhor forma que tinha de descontrair. Passávamos bons bocados assim. E depois adormecia com a cabeça no meu colo e mais nada acontecia a partir de então, a não ser que eu decidisse acrescentar alguma coisa ao bulício que a noite tornava constante e que ia cada vez mais fazendo parte do que nos preenchia e realizava.