Hoje estive na praia, a ler e descansar sobre a areia, bebendo o sal sacudindo-se como uma garça no ar azul, fundo e redondo, sem preocupações de destrinçar entre noite e dia.
Uns bons vinte ou trinta metros ao lado, uma família entretinha-se em brincadeiras de bola, independentemente de idades entre crianças e gente crescida.
Mais nada se adivinhava nos quilómetros em redor. Só mar, areal, céu, mais areal e mais mar.
Voltei-me de barriga para baixo e pus-me a mexer e remexer a areia com a mão, observando os milhares, quase milhões, de grãos que deslizavam entre os meus dedos, à medida que ia volvendo e revolvendo, fazendo montículos, covas, pegando outra vez, deixando cair.
E cada grão era uma palavra prenhe de sentidos, dúvidas, perguntas, até ao infinito que faltava escrever.