quinta-feira, 30 de junho de 2011

148
A música vem da noite iluminada que se expande até onde os desejos se encontram de entrega e destruição.
Há um saxofone derretido na melodia grave dos azuis que vão surgindo pendurados nas janelas da minha alma. Nunca houve tamanha imensidão entre as paredes que ocupo.
Denz telefonou e adivinhei a paisagem do tempo reconstituída atrás de cada sílaba que pronunciava. Estivemos de conversa por quase uma hora, enquanto Larj se entretinha com outras coisas, ora sorrindo pela sombra de uma borboleta, ora contestando a posição de uma cadeira ou a luz demasiado forte de um candeeiro.
Denz garantiu que nos encontraríamos no Verão, para ver o mar tão perto na encosta da sua casa debruçada.
Não havia vozes sob a música crescendo e rodopiando. Só metais e sopros por onde todos os receios se dissipavam, se perdiam em andamentos longínquos, que depois voltavam aos meus braços, fazendo-os tremer, de tanto amor.