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Nunca pensei desistir deste romance, “As Sete Noites do Fogo”, mas já ponderei não o escrever. Se o fizesse, se o não escrevesse, nem assim ele deixaria de existir, nem assim as suas páginas me abandonariam.
Um romance é um mundo paralelo. Está lá, mesmo que não o vejamos claramente, mesmo que não o possamos ler em palavra redigida. De uma maneira ou de outra, palpita, estrebucha, mói, desafia, ainda que dê a ideia de não nos ligar, de viver distante, de respirar umas vezes e outras não.
O que interessa num romance não é o que se lê, mas o que acontece nos seus meandros.
Quando se transforma uma ficção em escrita perde-se em definitivo a oportunidade de a voltar a imaginar. Depois de escrita está escrita. Torna-se real. Não há mais liberdade. Passa a ter acontecido de uma certa forma e já não lhe resta hipóteses de acontecer de outra.
Por isso, não é de toda descabida a possibilidade de habitar um romance e nunca o chegar a escrever. Habitá-lo apenas permite fazer que o seu entrecho seja diferente todos os dias, permite um grau de imprevisibilidade sem par, permite o acto de criação permanente sobre um tema.